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DESEMBARGADOR MALHEIROS PALESTRA SOBRE TRABALHO COM JUVENTUDE

A convite do Conselho Tutelar, o Desembargador Antônio Carlos Malheiros, do Tribunal de Justiça do Estado, esteve em Rio das Pedras para ministrar palestra sobre sua atuação em defesa das crianças, adolescentes e moradores de rua de São Paulo. A abertura da palestra foi realizada pelo prefeito Carlos Defavari, que agradeceu a presença de Malheiros, pelo segunda vez na cidade.


Durante sua hipnotizante palestra, que durou mais de uma hora, ninguém da plateia do Centro Educacional Pedagógico levantou sequer para ir ao banheiro. O Desembargador contou histórias que vivenciou nas ruas da Cracolância, lembrou de casos como do professor húngaro que falava oito línguas e foi parar nas ruas, mesmo destino de um pai que após enterrar seu filho não teve coragem de voltar para casa.


“Conheci um menino de classe média que roubava no Centro de São Paulo. Ele era grandão, vinha correndo, derrubava suas vítimas e as roubava. Certo dia o encontrei rezando na Igreja de Santa Efigênia. Perguntei a ele porque rezava e a resposta foi para que as pessoas assaltadas não se machucassem”, contou Malheiros, que convidou este menino para trabalhar em seu escritório de advocacia.


O menino passou por tratamento para parar com o uso da cocaína, passou a estudar e conviver com a família de Malheiros. “E, em sua oitava recaída, disse à ele: você é um pé no saco, mas convivendo contigo passei a amá-lo como a um filho e de um filho não se desiste”. Hoje, seu filho das ruas é professor da Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, e trabalha com dependentes químicos.


Malheiros explicou que a família tem que estar ao lado dos dependentes na hora da recuperação. Segundo o Desembargador, em 90% dos casos os moradores de rua vêm de famílias desagregadas. No caso de crianças, na maioria das vezes o pai é desconhecido e a mãe, ainda jovem e com muitos parceiros, deixa de dar atenção para a criança.


Depois de alguns anos longe do trabalho nas ruas, pois estava atuando junto a pessoas portadoras da Aids, voltou ao trabalho com jovens em estado de abandono. “Pedi ajuda ao meu filho das ruas para me reapresentar ao mundo marginal, pois em pouco tempo as situações tinham mudado muito. Encontramos uma criança com menos de 9 anos, de quatro na calçada, todo sujo, machucado, com muito sangue em volta. Pensamos que ele tinha sido violentado, mas não. Estava tão chapado, que estava cavando um buraco imaginário no concreto da calçada. A ponta de seus dedos estavam em carne viva. Nessa hora eu pensei em desistir, mas meu filho das ruas me lembrou a frase que disse para ele em sua última recuperação: de um filho não se desiste”, contou o Desembargador Malheiros.


Após a palestra, foi aberta a palavra aos participantes, que fizeram diversas perguntas sobre as motivações para terminar nas ruas, sugestões de políticas para reverter o quadro, formas de tratamento, entre outros.

Autoria: Alex Calmon
Fonte: SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Foto:
Postada em : 21/05/2018